Carreira

“How I Met Your Mother” e as expectativas de sucesso aos 20

Quando me formei na faculdade, percebi uma sensação estranha aqui dentro do peito. Assim que apresentei o bendito do TCC, apareceu uma espécie de tédio em minha vida que eu não conseguia me livrar. Um mix de saudade do passado recente com o peso de realmente me sentir adulta, presa num escritório o dia inteiro e cansada demais para fazer qualquer outra coisa.

 

Tudo o que eu amava fazer enquanto estagiária passou a ser tão rotineiro e chato, a ponto de eu me questionar se tinha feito a escolha profissional certa. O país já estava em meio à crise, em que você tinha que se dar por satisfeito por ter algum emprego. Naquele pé, não sairia da casa dos meus pais nem quando tivesse 40 anos. Não havia ânimo, e muito menos dinheiro para viajar. Os amigos já não conseguiam alinhar suas agendas com a minha; estavam cheios de compromissos (e desanimados também).

 

Os textos chamam isso de crise dos 20 anos, mas não acho que seja tão simples assim de rotular. Essa “nhaca” que toma conta da alma na verdade são as nossas próprias expectativas e sonhos, que foram tão meticulosamente planejados na adolescência, passando pela peneira da realidade e mostrando o quanto eram irreais.

 

Em meio a essa sensação de ter sido derrotada pela vida por ter feito todas as escolhas erradas, comecei a assistir How I Met Your Mother. E de repente, me atingiu: conforme as temporadas iam passando, percebi que as personagens, apesar de já terem lá pelos seus 30 anos, ainda não faziam a menor ideia do que estavam fazendo com suas vidas. Eles não tinham 100% de certeza de que estavam no caminho certo, que aquele emprego era mesmo o que queriam, se casavam ou iam para São Francisco fazer aula de pintura… Ou mesmo se estavam prontos para entrar num relacionamento mais sério.

 

E isso passou a conversar comigo de uma forma maravilhosa, até mesmo libertadora. Quem foi que instituiu que a gente tem que ser bem-sucedido e ter conquistado nosso primeiro milhão na nossa start-up revolucionária, fundada quando éramos recém-formados?

 

É claro que temos que buscar ir mais longe, ninguém vai conquistar nada se ficar de braços cruzados. Mas não adianta nos martirizarmos por termos dúvidas, inseguranças, incertezas. Nós não somos máquinas, e temos que parar de tratar-nos como tal. Calma, nós temos tempo, embora o mundo queira nos convencer que nascemos já atrasados.

 

Então, se você está passando por isso agora, não se desespere. Respira fundo. O mundo ainda está sendo descoberto por você. Enquanto você está lendo esse texto, um milhão de oportunidades estão se abrindo. E se, por acaso, você acabar tomando um caminho que sente ser errado, não se apegue à sensação de que você perdeu seu tempo; tudo está contribuindo para o seu crescimento profissional. E sempre existe uma nova página em branco após o ponto final para ser escrita.

 

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  • Olá, acabei de achar seu blog e me identifiquei tanto com esse texto que até dói. Estou no quinto período de PP e nem estágio consegui ainda </3 Sempre me pego perguntando: "20 anos, quase acabando a faculdade e nada ainda?" Isso vai me fazer enlouquecer. É algo que sempre quis fazer e agora fico me perguntando se fiz certo. Triste, muito triste. Mas ainda amo profundamente essa profissão!

    • Nossa profissão pode nos levar a diversas direções, não apenas ao emprego tradicional, pensa nisso 😉